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O Canto do Cisne | Arthur D'Alembert
Capítulo I

Pag. 1 A MORTE DE UMA ESTRELA



Mesmo a três dias-luz de distância, o espetáculo era quase sobrenatural.

Sanduleak, uma estrela com onze milhões de anos, havia crescido até converter-se numa supergigante azul, brilhando com a força de cem mil sóis na Nebulosa de Tarântula.

Línguas de fogo surgiam na sua superfície como serpentes, serpentes luminosas com centenas de milhares de quilômetros. Tudo era pequenino, minúsculo, um nada perto da estrela. Era a rainha absoluta da nebulosa na Nuvem de Magalhães.

Sanduleak era uma estrela diferente. Com dezoito vezes a massa do nosso Sol, e um diâmetro que podia abranger toda a órbita da Terra, havia consumido rapidamente o seu combustível nuclear. Estrelas como ela vivem pouco tempo, mas em compensação o fazem intensamente, brilhantemente, como um ser mitológico. Seu brilho é tamanho que ofusca qualquer outra coisa num raio de muitos anos-luz. São criadoras da vida, fornos nucleares onde se cozinham os elementos vitais, onde se elabora a própria essência da vida. Sanduleak era uma mãe cósmica, pronta a explodir espalhando as sementes do seu ventre.

Em sucessivas camadas, havia fabricado elementos químicos cada vez mais densos, começando pelo hélio, carbono e oxigênio, até chegar aos mais pesados, níquel e ferro.


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